Adeildo Roriz

textos a esmo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

in gomo




sábado, 17 de outubro de 2009

JORNAL BAGAÇO


JORNAL BAGAÇO. Descompromissado-responsável, ínfimo-profundo, grato-rebelde. Urbano, safado, mal pago: resultado da apropriação. "you can see christians, jews and muslins living together and praying amen..." Só vejo o jogo político, a falência da República. Dinheiro, posição, política, justiça, divisão.
As verbas publicitárias não podem comprar a opinião. A ética jornalística está acima dos produtos que sustentam uma organização. Profissionais e empresários do ramo da comunicação, saibam que o leitor mudou. Não hesitem em dizer a verdade, mesmo que esta verdade comprometa seu produto ou cliente. Zele pelo prestígio e confiança deste novo leitor. Com a verdade o castelo empresarial não desmorona. Seja Bagaço! '


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Seja Bagaço no Centro de Artes Hélio Oiticica

ECOS DE HÉLIO
Barracão Maravilha: Hugo Richard, Natali Tubenchlak, Robson e Zé Carlos Garcia
Convidados: Adeildo Roriz, Anita Sobar, Cadu D'Oliviera, Kristofer Paetau, Nobuyuki Ogata e Túlio Bambino
Visitação: 13/09/09 a 20/12/2009
terça a sexta - 11 às 18h
Sábado, domingo e feriado - 11 às 17h
R Luis de Camões, 68+Centro Rio RJ
2242-1012

domingo, 3 de maio de 2009

Cerveja Bagaço

Cerveja BAGAÇO

As peças que compõem a obra já não se encaixam e saem ensalivadas por olhos que cospem aquilo que os cérebros mandados lhes impulsionam: maneirismo, confusões gráficas, traços ingênuos.

O espumante dos enganos eclode sobre as taças geladas, publicitários e marketeiros traficam esta droga: você taxado como segmento de mercado.

O mercado está na rua e suas prateleiras cheias de ilusão, as caixas te recebem com um sorriso no rosto, no domingo ensolarado, sem seus filhos... puta que o pariu!

Por quê não mato aquele pensamento fútil? É a festa boa sem miséria, meu ato está pulando alegre num hotel cinco estrelas...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Gente pisando em gente

Centro urbano. Um relógio despertador está na cabeceira da cama. Amanhã acordo cedo, mas minha filha não voltou da balada, que não autorizei. O IPTU venceu no dia dez. O vizinho está assistindo ‘sexy-hot’ e a dona do 302 bateu novamente no marido pinguço. Não cumpri a meta, tenho que dar um jeito... depois de um sopapo, o despertador está no chão novamente. Não vai dar tempo de tomar café. Na padaria, peço a média no balcão. Meu parente me pediu dinheiro emprestado. Piso na calçada- tio me dá um trocado?! No metrô tem vagão exclusivo para as mulheres. Vou de ônibus que é mais barato. Logo cedo, tudo engarrafado. Vinte corpos sujos, num sono profundo, lotam a via. De terno e gravata sob o sol de deserto. Minha chefe ta com ‘TPM’, meu colega foi achacado por um PM. O castelo do deputado ta um brinco, as empresas do presidente do DEM estão no azul. Ainda tem vinte Reais na minha conta. Na fila do selft service, mal educados se arrastam e insalivam a comida alheia. ‘É três por um Real!’, ‘familhão é dez!’. O salto agulha se prendeu entre as pedras portuguesas. Uma senhora caiu, tropeçou na calçada esburacada. Pega ladrão! São dezessete e cinqüenta e cinco... o ponto! Levaram meu celular, peguei vinte papeizinhos: centro de lazer, dinheiro fácil, devolvo seu marido em duas horas... ‘Vai cair toró!’ O trânsito ta um nó, será que minha filha ta grávida? Hiii, minha mulher! A rua encheu novamente. O síndico me olhou com a cara feia, ninguém me disse boa noite. Jantamos assistindo TV, nem uma palavra. Tenho que pagar a empregada. Tomo um banho e entro no quarto, o puto ta na cabeceira de novo.

sábado, 28 de março de 2009

Seja Bagaço!

Confira as imagnes da exposição 'seja bagaço':

http://www.youtube.com/watch?v=fRaeXAPwMFM

Arte como bagaço

Existe uma premissa de Goethe que diz que jamais deveria haver uma luta de prioridade de idéias, pois com estas ocorre o mesmo que acontece com maçãs em tempos de colheitas. Caem todas de várias árvores e em diversos pomares ao mesmo tempo. A atual conjuntura artística parece validar essa idéia do grande mestre alemão, uma vez que, as teorias avançadas da arte entendem que nosso tempo não permite uma compreensão totalizante do objeto artístico. Muitas são as idéias, múltiplas são as propostas, diversas são as leituras. Todas coabitam o mesmo espaço e ao mesmo tempo sem grandes conflitos. Porém sem nunca chegar a um fim definitivo. Fenômeno natural de uma época marcada por empilhamento de informação e por excessos econômicos geradora de fragmentação e desorientações.

No bojo dessa realidade, muitos artistas optam por um engajamento maior com aquilo que forma o mundo real e palpável. Apegando-se em muitos casos a questões sócio-históricas que norteiam a vida cotidiana. A arte nesse caso não mais redime, não mais busca pelo transcendente, quer falar com aquilo que está próximo, quer comentar a vida em sua grandeza e também em sua pequenez. Evidentemente que o interesse pelo trivial em arte não é novidade, basta lembrar Dada e também John Cage, o Happening, o Fluxus, e etc. para constatar essa verdade. Depois de Dada e toda antiarte que se seguiu, pensar uma arte afastada do apego ao cotidiano se tornou basicamente impossível. Um grande feito da antiarte foi desprezar qualquer tipo de hierarquia e assim derrubar qualquer barreira que supostamente separava a arte da vida.

O artista carioca Adeildo Roriz(Magoo), que integra o grupo Gomo, é um desses artistas que não vêem barreiras entre a arte e a vida cotidiana. A partir de construções de obras desestetizadas, onde são incorporados utensílios recorrentes do dia-a-dia como jornais, papeis de pão, garrafas de cerveja e tudo quanto é tipo de material “encontrado”, Magoo problematiza o que é cotidiano e comum em arte. Investiga os devaneios da sociedade de consumo e a importância do Mass Media no mundo contemporâneo. Grandes temas como o sublime e ilusões visuais são ausentados de sua obra. Vale olhar para o que foi experimentado e vivido, num jogo de combinações marcado por influências externas e preocupações políticas.

O humor negro que perpassa seu trabalho encontra maior expressão na proposta “Bagaço” que parece propor a adoção de uma postura diante do mundo. A de estar à margem, a de ser desobediente. Criando frases no imperativo, o artista interfere diretamente em jornais, cria manchetes irreais e sensacionalistas, devolvendo para o jornal uma irônica resposta de inconformismo. O artista tem como pretensão do artista discutir a manipulação de informações correntes em muitos dos principais meios de comunicação do mundo. Magoo pensa o excesso de informações propagadas progressivamente pela mídia que mais desnorteiam que informam. A obra do artista faz lembrar a frase de Camus: “num mundo onde tudo é dado e nada explicado, a fecundidade de uma metafísica é uma noção vazia de sentido”. Esse mundo onde nada é explicado é o mundo no qual a obra do artista se insere.

Como o próprio artista afirmou “com a exposição, pretendo levar ao espectador obras que causem reações imediatas, por suas características plásticas, verbais e visuais. Utilizo suportes simples do dia-a-dia, reaproveitados e reapresentados com um novo direcionamento, através de frases de efeito, respingos de tinta debochados e carregados de um humor típico do carioca. Nas garrafas, nos cartazes, em sacos de pão, tapumes ou em jornais de grande circulação, o público perceberá uma arte engajada e ao mesmo tempo despretensiosa, mas cheia sagacidade”. Magoo quer revelar o conteúdo da arte de sua arte de modo imediato sem abrir mão da situação presente do homem no mundo. “Bagaço: Pense nisso!”.


Lippe Muniz

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vai cair toró!

Rio de Janeiro, sexta-feira. Mais um dia de trabalho massante. 18:30 me preparo para encerrar o expediente, tudo +- organizado para a segunda-feira. Vou pegar a estrada às 19:15 e aproveitar o final de semana. 18:55 desligo o computador e vou para o banheiro dar um mijão. 19Hs fecho a gaveta, apanho a mochila e lembro de olhar pela janela.. tão caindo algumas gotas. 19:05 estou na portaria. Do lado de fora, aqueles pingos estão bem mais violentos, vento e trovões fazem os transeuntes correr. Pelo jeito vou perder o ônibus. Penso por alguns segundo e tomo coragem. Abro o guarda-chuva e sigo pela tv. do Ouvidor, qd vejo q tá alagada volto e tento a Quitanda. Meus sapatos já estão encharcados. A chuva torrencial não para. A Quitanda também está alagada, Os ratos começam a sair dos bueiros e a mulherada entra em pânico. Mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Se o Ronaldo fez aquele gol de cabeça, também vou conseguir chegar ao Menezes Cortes a apanhar a condução. Consegui chegar à rua da Assembléia, digo, riacho da Assembléia. Não dá! sigo em direção à Rio Branco, as pessoas estão desoladas. O guarda-chuva não adiantou muita coisa, consigo chegar ao terminal, mas o ônibus já tinha partido... que merda! O jeito é cair no Estácio mesmo. Consigo embarcar no último 239 que estava no ponto final. O ambiente parecia uma sauna, já que as pessoas fecham as janelas e ficam respirando o mesmo ar. Sentei numa poltrona ainda vaga e abri a janela. Do Centro ao Estácio vejo a realidade: o caos desenhado em poucos minutos. Não tem jeito, caiu toró e a cidade entra na calamidade, tudo alagado. As pessoas aguardam dentro dos bares, na porta do teatro ou nas calçadas mais altas. Na fachada do Hotel está escrito -Bem vindo ao Ibis o hotel super... e as pessoas estão ilhadas. A viajem seguia, até que chego ao Estácio. Alguém chama o meu nome. com o estômago em recuperação, mas depois da aventura inesperada, bem que mereço uma cerveja. Vou logo avisando que só vou molhar o bico. Não costumo parar nesse bar. O cara trouxe o copo que logo foi enchido de encontro ao brinde. Na primeira golada percebi que aquela não era a melhor das noites: a porra da cerveja tava quente! O assunto era o show do Iron que vai rolar na Apoteose. Chega um, chega outro, o papo tava ficando interessante, mas não consegui passar do terceiro copo. Chamei o garçon para tirar umas cervejas, mas insistiram para que eu não pagasse... td bem. Me despedi fui pra casa tirar um sono.