
Adeildo Roriz
textos a esmo
terça-feira, 17 de novembro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
JORNAL BAGAÇO

sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Seja Bagaço no Centro de Artes Hélio Oiticica
Barracão Maravilha: Hugo Richard, Natali Tubenchlak, Robson e Zé Carlos Garcia
Convidados: Adeildo Roriz, Anita Sobar, Cadu D'Oliviera, Kristofer Paetau, Nobuyuki Ogata e Túlio Bambino
Visitação: 13/09/09 a 20/12/2009
terça a sexta - 11 às 18h
Sábado, domingo e feriado - 11 às 17h
R Luis de Camões, 68+Centro Rio RJ
2242-1012
domingo, 3 de maio de 2009
Cerveja Bagaço
As peças que compõem a obra já não se encaixam e saem ensalivadas por olhos que cospem aquilo que os cérebros mandados lhes impulsionam: maneirismo, confusões gráficas, traços ingênuos.
O espumante dos enganos eclode sobre as taças geladas, publicitários e marketeiros traficam esta droga: você taxado como segmento de mercado.
O mercado está na rua e suas prateleiras cheias de ilusão, as caixas te recebem com um sorriso no rosto, no domingo ensolarado, sem seus filhos... puta que o pariu!
Por quê não mato aquele pensamento fútil? É a festa boa sem miséria, meu ato está pulando alegre num hotel cinco estrelas...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Gente pisando em gente
sábado, 28 de março de 2009
Seja Bagaço!
Confira as imagnes da exposição 'seja bagaço':
http://www.youtube.com/watch?v=fRaeXAPwMFM
Arte como bagaço
Existe uma premissa de Goethe que diz que jamais deveria haver uma luta de prioridade de idéias, pois com estas ocorre o mesmo que acontece com maçãs em tempos de colheitas. Caem todas de várias árvores e em diversos pomares ao mesmo tempo. A atual conjuntura artística parece validar essa idéia do grande mestre alemão, uma vez que, as teorias avançadas da arte entendem que nosso tempo não permite uma compreensão totalizante do objeto artístico. Muitas são as idéias, múltiplas são as propostas, diversas são as leituras. Todas coabitam o mesmo espaço e ao mesmo tempo sem grandes conflitos. Porém sem nunca chegar a um fim definitivo. Fenômeno natural de uma época marcada por empilhamento de informação e por excessos econômicos geradora de fragmentação e desorientações.
No bojo dessa realidade, muitos artistas optam por um engajamento maior com aquilo que forma o mundo real e palpável. Apegando-se em muitos casos a questões sócio-históricas que norteiam a vida cotidiana. A arte nesse caso não mais redime, não mais busca pelo transcendente, quer falar com aquilo que está próximo, quer comentar a vida em sua grandeza e também em sua pequenez. Evidentemente que o interesse pelo trivial em arte não é novidade, basta lembrar Dada e também John Cage, o Happening, o Fluxus, e etc. para constatar essa verdade. Depois de Dada e toda antiarte que se seguiu, pensar uma arte afastada do apego ao cotidiano se tornou basicamente impossível. Um grande feito da antiarte foi desprezar qualquer tipo de hierarquia e assim derrubar qualquer barreira que supostamente separava a arte da vida.
O artista carioca Adeildo Roriz(Magoo), que integra o grupo Gomo, é um desses artistas que não vêem barreiras entre a arte e a vida cotidiana. A partir de construções de obras desestetizadas, onde são incorporados utensílios recorrentes do dia-a-dia como jornais, papeis de pão, garrafas de cerveja e tudo quanto é tipo de material “encontrado”, Magoo problematiza o que é cotidiano e comum em arte. Investiga os devaneios da sociedade de consumo e a importância do Mass Media no mundo contemporâneo. Grandes temas como o sublime e ilusões visuais são ausentados de sua obra. Vale olhar para o que foi experimentado e vivido, num jogo de combinações marcado por influências externas e preocupações políticas.
O humor negro que perpassa seu trabalho encontra maior expressão na proposta “Bagaço” que parece propor a adoção de uma postura diante do mundo. A de estar à margem, a de ser desobediente. Criando frases no imperativo, o artista interfere diretamente em jornais, cria manchetes irreais e sensacionalistas, devolvendo para o jornal uma irônica resposta de inconformismo. O artista tem como pretensão do artista discutir a manipulação de informações correntes em muitos dos principais meios de comunicação do mundo. Magoo pensa o excesso de informações propagadas progressivamente pela mídia que mais desnorteiam que informam. A obra do artista faz lembrar a frase de Camus: “num mundo onde tudo é dado e nada explicado, a fecundidade de uma metafísica é uma noção vazia de sentido”. Esse mundo onde nada é explicado é o mundo no qual a obra do artista se insere.
Como o próprio artista afirmou “com a exposição, pretendo levar ao espectador obras que causem reações imediatas, por suas características plásticas, verbais e visuais. Utilizo suportes simples do dia-a-dia, reaproveitados e reapresentados com um novo direcionamento, através de frases de efeito, respingos de tinta debochados e carregados de um humor típico do carioca. Nas garrafas, nos cartazes, em sacos de pão, tapumes ou em jornais de grande circulação, o público perceberá uma arte engajada e ao mesmo tempo despretensiosa, mas cheia sagacidade”. Magoo quer revelar o conteúdo da arte de sua arte de modo imediato sem abrir mão da situação presente do homem no mundo. “Bagaço: Pense nisso!”.
Lippe Muniz
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